sexta-feira, abril 25, 2008

Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.

Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

O nosso amor é sangue. É seiva. É sol. É Primavera.
Amor intenso. amor imenso. amor instante.
O nosso amor é uma arma. É uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

O nosso amor é pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.
*
Joaquim Pessoa

quarta-feira, abril 23, 2008

NOVO ACORDO ORTOGRAFICO


A questão ortográfica da língua portuguesa arrasta-se há quase meio século. De facto, em 1911, com o advento da República, Portugal promoveu uma grande reforma ortográfica da língua. Infelizmente, fê-lo à revelia do Brasil, que era então o outro grande país de língua portuguesa. Ora, implantar uma reforma ortográfica constitui um acto de soberania, o qual não pode ser imposto a outro país. Mas era o que Portugal pretendia, ou seja, que o Brasil adoptasse a ortografia portuguesa de 1911, o que não aconteceu. O pecado original dessa "guerra" ortográfica reside no facto de aquela reforma não ter sido previamente acordada com o Brasil, como o exigia a defesa e promoção da língua portuguesa no mundo.

Houve depois várias tentativas de unificação da ortografia do português ao longo do século XX, desenvolvidas sobretudo pela Academia das Ciências de Lisboa em conjunto com a Academia Brasileira de Letras. Em 1945 as duas academias chegaram a acordo, numa reunião em Lisboa. Desse encontro surgiu a chamada Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945. Mas aqui, mais uma vez a parte portuguesa cometeu um pecado capital. É que conseguiu convencer a parte brasileira a adoptar os pontos de vista portugueses, nos quais predominava a perspectiva etimológica.

Assim, os brasileiros, que há muito tinham suprimido, para maior facilidade de alfabetização, as chamadas consoantes mudas ou não articuladas em palavras como "acto", "directo", "óptimo", tinham de voltar a introduzi-las na escrita. Ora isso constituía uma violência, que o Brasil não aceitou. Imagine-se como reagiriam os portugueses se agora os obrigassem a reescrever "fructo" ou "victória", com consoantes que há muito foram suprimidas! A lição que colhemos, quer de 1911, quer de 1945, é que Portugal, embora seja o berço da língua portuguesa, não é no mundo de hoje o seu único proprietário.

A verdade é que, tendo falhado as duas unificações plenas tentadas em 1945 e 1986, mandava o bom senso que se procurasse uma unificação possível, menos absoluta, mas mesmo assim suficiente, para abranger cerca de 98% do léxico da língua, e necessária, para evitar que a deriva ortográfica, com oito países lusófonos, se venha a acentuar.

Outra crítica que advém de certos intelectuais portugueses mais conservadores põe em causa a necessidade sequer de qualquer acordo ortográfico. Sustentam que a língua há-de evoluir nos diferentes países lusófonos e dar origem a outras línguas. Esquecem-se, no entanto, que hoje vivemos num mundo diferente do que existia no tempo, por exemplo, da difusão do latim pela România. Nesse tempo a escolarização era apenas para elites reduzidas, não havia meios de comunicação de massas, como a rádio, a televisão, os jornais. Ora, estes meios exercem hoje sobre a língua uma força centrípeta que leva à preservação da unidade essencial do idioma. Por outro lado, as instituições culturais e políticas dos países lusófonos têm todo o interesse em preservar a língua comum como elo de ligação entre todos e factor indiscutível da sua afirmação no mundo.

Uma ortografia unificada torna-se absolutamente necessária às organizações internacionais onde o português é língua de trabalho, aos estabelecimentos de ensino estrangeiros onde se cultiva o nosso idioma, à difusão e promoção do livro em português nos domínios inter-lusófonos e internacional.
João Malaca Casteleiro (linguísta)

- O alfabeto passa a ter 26 letras com a inclusão do «K», o «Y» e o «W»;

- apesar das mudanças a nível de ortografia, as pronúncias próprias de cada país continuam iguais.

- Exemplos de palavras que vão ter dupla grafia devido à diferença de pronúncia entre Portugal e Brasil: académico/acadêmico, amazónia/amazônia, anatómico/anatômico, António/Antônio, blasfémia/blasfêmia, cénico/cênico, cómodo/cômodo, efémero/efêmero, fenómeno/fenômeno, gémeo/gêmeo, género/gênero, génio/gênio, ténue/tênue, tónico/tônico e também bebé/bebê, bidé/bidê, canapé/canapê, caraté/caratê, cocó/cocô, croché/crochê, guiché/guichê, judo/judô, matiné/matinê, metro/metrô, puré/purê.

- Exemplos práticos de alterações na grafia: cai o «h» como em «húmido» e fica úmido, desaparecem o «c» e o «p» nas palavras onde não se lêem (são mudos), como acção, acto, baptismo ou óptimo.

- Mais exemplos de consoantes que desaparecem com o novo acordo: acionar, adjetival, adjetivo, adoção, adotar, afetivo, apocalítico, ativo, ator, atual, atualidade, batizar, coleção, coletivo, contração, correção, correto, dialetal, direção, direta, diretor, Egito, eletricidade, exatidão, exato, exceção, excecionalmente, exceções, fator, fatura, fração, hidroelétrico, inspetor, letivo, noturno, objeção, objeto, ótimo, projeto, respetiva, respetivamente, tatear.

- Nas sequências «mpc», «mpç» e «mpt», se o «p» for eliminado, o «m» passa a «n», como assunção e perentório.

- As terminações verbais «êem» deixam de ser acentuadas em Portugal e no Brasil (exemplos: creem, deem, leem, veem, incluindo os verbos com as mesmas terminações: descreem, releem, reveem, etc).

- Deixa de ter acento diferencial a forma verbal de «pára»/ para.

- O acento diferencial para distinguir o passado do presente passa a ser facultativo.

- As formas monossilábicas do verbo haver perdem o hífen. Exemplos: «hei de», «hás de», «há de», «hão de». A palavra «fim-de-semana» também fica sem hífen.

- O hífen cai também em palavras compostas (em que se perdeu a noção de composição), que passam a ser escritas assim: mandachuva, paraquedas e paraquedista.

- Ainda em relação ao hífen: fusões de palavras quando há duplicação do «s» ou do «r», como antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, extrarregular, infrassom.

- O novo acordo recomenda também que se generalize a fusão quando a terminação é uma vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente: extraescolar, autoestrada.

- Meses e estações do ano passam a escrever-se com letra minúscula.

- No vocabulário brasileiro desaparece o acento circunflexo em palavras como abençôo, vôo, crêr, lêr e outras.
*
- Desaparece também o trema em palavras como lingüíça, freqüencia ou qüinqüénio, assim como o acento agudo nos ditongos abertos como por exemplo assembléia ou idéia.
*
*
Os defensores do acordo fazem questão de sublinhar que não elimina em nenhuma palavra qualquer letra que se leia numa pronúncia culta da língua, não estabelece regras de sintaxe, não interfere com a coexistência ou com as regras de normas linguísticas regionais, tem a ver somente com a maneira de escrever as palavras!
Com o Acordo Ortográfico, a grafia das palavras passa a ser regulamentada nos países de língua portuguesa.
*
Concordo.


domingo, abril 20, 2008

Estrela da Tarde
*
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
*
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
*
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
*
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
*
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
*
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


José Carlos Ary dos Santos, As palavras das Cantigas, 1984

Um poema lindíssimo de um poeta cada vez mais necessário.

domingo, abril 13, 2008


Hoje, mais do que nunca, reafirmo e confirmo, com toda a certeza
AS PESSOAS NÃO SÃO IGUAIS PARA TODA A GENTE

terça-feira, abril 08, 2008


Não posso deixar de partilhar este concerto imperdivel.
Pela primeira vez em Portugal, o pioneiro da música electrónica:
*
JEAN MICHEL JARRE
25 ABRIL - COLISEU LISBOA
27 ABRIL - COLISEU PORTO
21.30H
*
Já que estou neste registo aproveito também para sugerir :
*ANJA GARBAREK
19 ABRIL - CENTRO CULTURAL VILA FLOR GUIMARÃES - 22H
*PINA BAUSCH
2 A 9 MAIO - CCB E TEATRO SÃO LUIZ LISBOA
*CAT POWER
26 MAIO - COLISEU RECREIOS - 22H
28 MAIO - COLISEU PORTO - 22H
*COCOROSIE
26 MAIO - TEATRO ACADÉMICO GIL VICENTE COIMBRA - 21.30H
27 MAIO - THEATRO CIRCO BRAGA
*FEIST
10 JUNHO - COLISEU PORTO - 21H
11 JUNHO - AULA MAGNA - 21H
*KINGS OF CONVENIENCE
28 JUNHO - CASA DA MÚSICA - 21.30H
22 JULHO - CASA DA MÚSICA - 21.30H
*THIEVERY CORPORATION
*EMIR KUSTURICA & THE NO SMOKING ORCHESTRA
3 AGOSTO - FESTIVAL PAREDES DE COURA
*BJÖRK
7 AGOSTO - FESTIVAL SUDOESTE
*FURA DELS BAUS
7, 8, 9 E 10 AGOSTO - FESTIVAL SUDOESTE

segunda-feira, abril 07, 2008


Como sabes, e até deves ter protestado, em 2007, Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista animalesco colheu um cão abandonado na rua, atou-o a uma corda na parede de uma galeria de arte e ali o deixou morrer lentamente de fome e de sede.
Durante vários dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassiveis à agonia do pobre animal. Até que finalmente morreu, depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensivel calvário da besta chamada Homem. Se achares por bem empregue consulta os links e tira as tuas conclusões.
*
*
Parece-te forte?

Mas nao é tudo: a prestigiada Bienal Centroamericana de Arte decidiu que a selvageria cometida por esta Besta das artes, Guillermo Vargas Habacuc, fosse novamente convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal em 2008, acto este que podemos impedir, colaborando com a nossa indignação, protesto e assinatura nesta petição:




(não tem que se pagar, nem registar) para enviar a petição contra o chamado 'artista' por tão cruel acto, por tão ínfima sensibilidade ao desfrutar em prazer com a dor alheia.




quarta-feira, março 26, 2008


UM ADEUS PORTUGUÊS
*
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada
*
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
*
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
*
Não podias ficar nesta cama comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
*
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
*
Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
*
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
*
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.
*
Alexandre O'Neill (1924-1986)


Por vezes os sentimentos dissipam-se na imensa existência do SER e nunca sabemos o que é realmente ou não. Eu perco-me e acho-me e perco-me e acho-me no pulsar compulsivo do bater do coração, imensas vezes, sem, no entanto, encontrar o seu átomo...

quarta-feira, março 19, 2008


Faleceu ontem (18-03-2008) o grande realizador Anthony Minghella, devido a uma hemorragia cerebral. Com esta perda o cinema mundial fica certamente mais pobre.O seu primeiro filme foi "Um Romance do Outro Mundo" ("Truly, madly, deeply") de 1991, em 1993 realizou "Um amor de verdade" ("Mr. Wonderful"), "O Paciente Inglês" ("The English Patient") de 1996 foi o seu filme mais aclamado, conseguindo 12 nomeações para os Óscares, conquistando 9 estatuetas. "O Talentoso Mr. Ripley" ("The Talented Mr. Ripley") seguiu-se-lhe em 1999, "Cold Mountain" em 2003, "Assalto e Intromissão" ("Breaking and Entering") em 2006 e "Michael Clayton" em 2007.
Tinha apenas 54 anos; quando se perde a vida tão cedo fica sempre a sensação de que tanto, ainda, havia por realizar... "O Paciente Inglês" e "O Talentoso Mr. Ripley" são, sem dúvida, dois dos meus filmes de eleição. É incrivel o quanto podemos sofrer a morte de alguém que apenas conhecemos porque é famosa, porque nos proporciona momentos de prazer com as suas obras, porque sabemos que não voltarão a fazê-lo, não voltaremos a esperar mais um filme, não voltaremos a dizer "Altamente, saíu um novo filme do Anthony Minghella!"...
Certamente não será esquecido por todos os amantes do cinema, do bom cinema...
Faleceu o 'artista', imortalizam-no as suas obras...

segunda-feira, março 17, 2008


Estava hoje a fazer o meu lanche, no intervalo do trabalho, quando passei os olhos por um jornal de distribuição gratuita, o "METRO"... Qual o meu espanto quando vejo o título "Lares recusam idosos com VIH"... http://www.readmetro.com/
Em pleno século XXI existe ainda discriminação a seropositivos???
Não há já informação suficiente acerca da doença???
De acordo com o Instituto Ricardo Jorge estão notificadas no nosso país 2411 pessoas seropositivas com mais de 55 anos. A evolução das terapêuticas trouxe um aumento da esperança de vida dos seropositivos, no entanto ainda existem pessoas, ao que parece, que não sabem como lidar com estes doentes..
É mais uma vergonha para o nosso país, a pobreza de espírito é sem duvida a maior de todas a pobrezas... Nestes lares inventam desculpas para não acolherem idosos seropositivos ou pedem quantias exorbitantes pois assim sabem que se livram do "problema".. A Liga Portuguesa Contra a Sida conhece vários casos de discriminação, que acredita serem ampliados com a falta de respostas dos serviços sociais. A Liga recorre várias vezes aos serviços da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mesmo não sendo apologista da separação definida pela instituição nos finais da década de 80 (seropositivos vs não seropositivos). Hoje a Misericórdia mantem dois lares para doentes seropositivos com graves problemas socio-económicos. Estes lares da Casa da Misericórdia foram criados quando a discriminação era assumida, mas a Misericórdia tinha a esperança que esta medida se tornasse obsoleta à medida que a informação chegasse às pessoas. No entanto 19 anos volvidos, os comportamentos discriminatórios mantêm-se...
Como se não bastassem os danos causados pelo VIH/SIDA, a discriminação contra as pessoas relacionadas com o vírus está também a fazer algumas vítimas. O estigma deve-se à falta de informação a respeito dos conceitos de VIH/SIDA e da forma como o vírus é transmitido. O estigma é também causado pelos preconceitos que as pessoas têm acerca do VIH/SIDA: que estão relacionados com o sexo e com as drogas, e também com actividades tabú, como as relações sexuais pré-matrimoniais ou homossexuais, a prostituição e as drogas injectáveis. O estigma contra o VIH/SIDA produz discriminação. A discriminação é o tratamento injusto que recebem as pessoas relacionadas com o VIH/SIDA: os seropositivos, os seus parentes e amigos. Até mesmo as pessoas que não têm qualquer ligação real com a doença, mas que fazem parte de grupos habitualmente associados ao VIH/SIDA são alvo de estigmatização. O estigma e a discriminação provêm do medo e da incompreensão. Muitas vezes, o medo e a incompreensão fazem parte de uma cultura e consequentemente são considerados socialmente aceitáveis. O ESTIGMA E A DISCRIMINAÇÃO NÃO SÃO ACEITÁVEIS. Silenciam indivíduos e comunidades e levam a que as pessoas evitem fazer testes ou revelem o seu estado de seropositividade. Impedem que as pessoas façam perguntas importantes e obtenham boas respostas. Por causa disto, as pessoas não querem falar sobre sexo ou sobre o VIH/SIDA, o que significa que não estão a aprender como se devem proteger. Da mesma forma que continuam sem saber que as pessoas com VIH/SIDA não representam qualquer ameaça à sociedade. Discriminar é arruinar a vida dessas pessoas. SER LIVRE DE DISCRIMINAÇÃO É UM DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL. Isto significa que nunca está certo magoar alguém porque é seropositivo; ou tirar-lhe dinheiro, o emprego ou a casa. O VIH/SIDA são problemas de saúde graves. O estigma e a discriminação tornam esta situação devastadora tanto a nível emocional como financeiro - para indivíduos e comunidades inteiras. Como combater a discriminação? Fala abertamente. Fala sobre sexo, fala sobre drogas, fala sobre o VIH/SIDA. Não é fácil, mas se te queres proteger, a ti e aos teus parceiros, e até mesmo à tua comunidade, é importante que fales deste assunto.


Para todos quantos continuam a discriminação a doentes seropositivos INFORMEM-SE




HOJE POR ELES AMANHÃ POR TI
Como os livros são para se partilhar, quero aqui partilhar com todos quantos gostam de literatura, filosofia, cinema...um livro muito bom de Juan Antonio Rivera "Lo que Sócrates diría a Woody Allen", o qual obteve em Espanha o Premio Espasa Ensaio 2005. Está já traduzido em português (podem encontrá-lo, por exemplo, nas Edições Tenacitas, Coimbra, traduzido por Ana Doolin).
Um ensaio precioso da filosofia espanhola.

À primeira vista parece um ensaio sobre os clássicos do cinema e também alguns mais contemporâneos, mas na realidade trata-se de um tratado de ética em torno das IDEIAS de sempre (amor, felicidade, azar, vontade, morte, medo, tédio...), para alem de uma mão cheia de categorias muito pouco manuseadas na História da Filosofia (o apetite fáustico, a tentação do Bem e do Mal, a formação do gosto moral...).

Estamos perante uma visão interessante da natureza humana, com a sua base de filosofia clássica, a sua dose de psicologia, de literatura, cinema e de teoria económica.


" "O que Sócrates diria a Woody Allen" é uma introdução simultaneamente profunda e amena a algumas das principais questões éticas de todos os tempos: o amor e a felicidade, o destino, a formação do sentido moral, a decisão e a falta de vontade, a tentação do perfeccionismo, o desespero, o pressentimento da morte, etc. Desfilam por estas páginas tanto os filósofos clássicos (Sócrates, Platão, Kant, Nietzsche, etc.) como outros mais actuais, que têm coisas muito interessantes para nos contar. A amenidade deste livro é assegurada pelo método adoptado, que exemplifica a reflexão filosófica a partir do cinema. Os exemplos são retirados de grandes filmes clássicos (Citizen Kane, Casablanca, A Lei do Silêncio), mas também de obras mais recentes (Matrix, Desafio Total, Truman Show). Esta combinação de imagens de filmes e pensamento filosófico ajuda a entender melhor a filosofia e a gostar mais do cinema."


Deixo-vos o índice para aguçar a curiosidade:

PRIMEIRA BOBINA

QUESTÕES PSICOLÓGICAS

1. O que não se pode conseguir pela força de vontade - I
'O coleccionador'

2. O que não se pode conseguir pela força de vontade - II
Woody Allen e a lenda intelectualista
'Hannah e as suas irmãs'

3. O que não se pode conseguir pela força de vontade - III
'Citizen Kane' ('o mundo a seus pés')

4. Fabricar fobias
'Laranja mecânica'

5. O tédio como fonte de maldade
'Calle mayor'

SEGUNDA BOBINA

QUESTÕES MORAIS

6. A formação do gosto moral - I
'The reckless moment'

7. A formação do gosto moral- II
'Há lodo no cais'

8. Não vale tudo
'Tudo bons rapazes'/'O triunfo da vontade'/'Stardust memories'

9. Como combater a falta de vontade
'The man with the golden arm'/'The lost weekend'

10. A tentação do Bem
'Dr. Estranho Amor'

11. Luz que agoniza
'Ikiru'/'Perigo iminente'

12. Outras vidas são possíveis
'Dois destinos'/'La vida en un hilo'

13. A árvore de decisão vital
'Dois destinos'/'Parque Jurássico'/'O efeito borboleta'/'It's a wonderful life'

14. Uma paisagem acidentada

15. Apetite Fáustico
'Desafio total'/'A rosa púrpura do Cairo'/'As sapatilhas vermelhas'

16. A preferência ética por viver num mundo real - I
'Matrix'/'Desafio total'

17. A preferência ética por viver num mundo real - II
'Truman show - a vida em directo'

18. As salas de cinema "Fausto"
"The end" um final quase Stendhaliano
'Casablanca'