segunda-feira, março 03, 2008

SINTO EM MIM
*
Vento sinto em mim
sussurrar
o sopro do mar.
Frio sinto em mim
aquecer
meu entardecer.
Medo sinto em mim
de sentir
palavras mentir.
Ânsia sinto em mim
de viver
o mundo a correr.
Vida sinto em mim
acordar
na rua dançar.
Dança sinto em mim
seu vibrar
guitarra cantar.
Fogo sinto em mim
aquecer
teu corpo aquecer.
Sede sinto em mim
de beber
teu sangue a arder.
Sangue sinto em mim
a ferver
nas veias correr.
Força sinto em mim
a rasgar
meu peito gritar.
Alma sinto em mim
p'ra cantar
um grito no ar.
Fúria sinto em mim.
Flechas sinto em mim.
Mágoa sinto em mim.
Risos sinto em mim.
Força sinto em mim.
Horas sinto em mim.
Lobos sinto em mim.
Corvos sinto em mim.
Garras sinto em mim.
Morte sinto em mim.

Mler Ife Dada, do álbum "Coisas que fascinam". Uma grande banda nacional da década de 80.
Fazem parte do meu imaginário infantil, sobretudo a música Zuvi Zeva Novi =)

quarta-feira, agosto 08, 2007


MARROCOS 08-2007



3-08-2007
Chefchaouen

Continuo na paz de Alá. Hoje apenas comi, relaxei, e devorei "O Barão Trepador" desse magnífico escritor Italo Calvino. Adoro os seus livros. Cosimo de Rondó-"Sábio como dantes, louco como sempre.

Agora leio "O Fio de Missangas" de Mia Couto.

Amanhã partiremos novamente para Rabat. Temos que entregar o carro da 'location de voiture' por volta das 19h/20h. Era fixe se tivessemos tempo para parar nas ruínas romanas de Volubilis.

Então diz assim em "O adiado avô", um dos contos de "O Fio de Missangas":

"No isolamento de seu quarto hospitalar, Glória chorou babas e aranhas".





4-08-2007

Rabat

Já é madrugada e toda a gente dorme.

Estou cansada mas não tenho sono.

Amanhã por esta hora estarei em Coimbra a dormir nos meus lençóis.

A discoteca aqui por baixo do hotel é sempre a bombar. Parece a que fica por baixo de casa da Filipa. A sensação é a mesma, desta feita num registo árabe.

Saímos de Chefchaouen por volta das 13h. Paramos para visitar as ruínas de Volubilis e por lá comprar uns cristais que um marroquino vendia no chão, ou melhor, ele dava. Dei-lhe 40DH (4€) por duas aragonites lindas e um cristal de quartzo rocha e ele encheu-me o saco de cristais e fósseis e pedaços de história das ruínas.

Em seguida disfrutamos da paisagem, qual quadro, que é a vila de Moulay-Idriss. Uma espécie de manto branco que cobre toda uma mini montanha, guardada por duas grandes montanhas que se erguem por detrás desta.

Isto depois de percorrermos uns 170Km por estrada desértica (N13), um calor terrível, planícies atrás de planícies, em tons castanhos, sobretudo claros.

Antes de apanharmos a auto-estrada para Rabat passamos por Meknes, que me pareceu bonita, mas não posso formular grande opinião pois apenas passamos....qual lebres com pressa...

Chegando a Rabat o Brunito foi levar o carro ao Salé (uma vilazinha de praia nas imediações de Rabat), enquanto nós tomavamos um mais que merecido banho no Hotel de la Paix, onde já tinhamos reservado um quarto.

Jantamos...

O último chá marroquino...

Agora eles dormem...

Vejo as horas passarem...

Afinal o tempo passa a correr...

Esta viagem já quase terminou...





quarta-feira, junho 28, 2006



O rato de Key Largo está em apuros. A sua população foi restrita a uma única floresta da Florida, pelo que ele precisa de publicidade. Mas não é o único. Milhares de animais estão ameaçados no mundo. Estas imagens deveriam fazer-nos parar e pensar sobre o que estamos a fazer, não apenas a uma única espécie ameaçada, mas a todo o planeta. Para os que dizem: "Que utilidade tem este animal?". Um rato de Key Largo parece insignificante, mas não devemos respeitar todos os animais? Ou mudamos o nosso comportamento apenas quando há dinheiro envolvido? Vivemos numa época em que se fazem perfurações petrolíferas nos últimos locais prístinos e em que são aprovadas leis que diminuem a qualidade da àgua e do ar. Votamos com base no preço da gasolina.
Neste contexto, percebo que um pequeno rato não seja uma prioridade. Mas uma vez que o destino da humanidade está ligado ao das restantes espécies, tenho de tentar. Temos que respeitar a Natureza pois a capacidade de imaginar o futuro é uma dádiva da humanidade. Isso dá-me esperança.

domingo, junho 18, 2006


"Trago-te o mar, as nuvens que só as crianças sonham a vermelho. Trago-te a terra que te transformou em húmus e a seiva morna das árvores, a dor que a vida faz latejar no pulso dos homens sozinhos... e o tempo, essa doença dos vivos, eternizou-nos. Noite após noite, falo-te, amo-te sem que o saibas. Posso tocar-te sem sentires sequer a minha presença. Posso estar sem estar. Trago a cinza das horas nos cabelos e os dias da paixão onde não há dias nenhuns. Trago-te as palavras e este cigarro que fumaremos a dois... e do mar recolhi esta coroa de rubras escamas e o silêncio dos náufragos... uma concha, um punhado de sal..."
Al Berto, "O Anjo Mudo"